Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

Ao encontro de quem sou.


Hoje, sou a dor da saudade
Em sonhar um sonho insensato
Sou alma em corpo sem prioridade
Sou espírito em desejo imediato.

Sou a sobra de uma frugal liberdade
Requentada pelo calor da moderação
Sou a soma das coisas com que a realidade
Me ensinou a ouvir com o coração.

Hoje, sou gesto rendido
À realidade acutilante
Sou o rosto do passado
Num espelho tolerante.

Sou um devaneio de ousadia
Em papel amarrotado
E se não sou o que queria
Penei-me esforçado.

Remando pelo rio da Vida
Ao encontro de quem sou
Por este caminho só de ida
Que ainda não terminou.

Hoje, sou este pouco feito do tanto
Com que a Vida me presenteia
Que até afortunado me sinto
Por da velhice, apanhar boleia.

Rui Girão.