
Hoje, sou a dor da saudade
Em sonhar um sonho insensato
Sou alma em corpo sem prioridade
Sou espírito em desejo imediato.
Sou a sobra de uma frugal liberdade
Requentada pelo calor da moderação
Sou a soma das coisas com que a realidade
Me ensinou a ouvir com o coração.
Hoje, sou gesto rendido
À realidade acutilante
Sou o rosto do passado
Num espelho tolerante.
Sou um devaneio de ousadia
Em papel amarrotado
E se não sou o que queria
Penei-me esforçado.
Remando pelo rio da Vida
Ao encontro de quem sou
Por este caminho só de ida
Que ainda não terminou.
Hoje, sou este pouco feito do tanto
Com que a Vida me presenteia
Que até afortunado me sinto
Por da velhice, apanhar boleia.
Rui Girão.